Personagens das lutas pela libertação dos escravos e remanescentes quilombolas de São Mateus, revividos pelo jornalista e escritor Maciel de Aguiar, são tema de exposição montada no hall do térreo da Assembleia Legislativa (Ales). São reproduções de ilustrações dos livros de Maciel, feitas por alunos da Escola Estadual Américo Silvares.
A escola fica no bairro Vila Nova, um dos mais pobres de São Mateus, onde são constantes a violência, o tráfico de drogas e assassinatos. A diretora Lenice Vicente da Silva disse que, em contrapartida, a escola oferece ensino, esporte, cultura, dança, capoeira e arte.
Em setembro último nasceu o projeto ‘Nossa Terra, Nossa Gente’, interdisciplinar, com o propósito de fomentar a cultura entre os alunos e resgatar o folclore brasileiro, do Estado e do município de São Mateus. O programa envolveu professores de Português, História, Artes e até de Inglês.
Os alunos da 6ª e 8ª séries fizeram desenhos sobre o tema e reproduções das gravuras impressas nos livros de Maciel Aguiar. Orientados pelo professor de Artes, Joques Moreira Lima, usaram técnicas de grafite e pintura sobre papel.
As 20 telas que nasceram do projeto vão ficar expostas na Ales até o dia 20 deste mês. Flavio Pereira tem 16 anos e timidamente conta que tomou gosto pela pintura por influência da irmã, que desenha. Dele são as reproduções de personagens como Tertolino Balbino, Chico D´Anta da Viola e Silvestre Nagô, entre outros.
Descobertas
Nenhum dos alunos tinha “intimidade” com os personagens de Maciel de Aguiar, que construíram a história dos negros do Norte do Espírito Santo. A obra do escritor foi amplamente usada no projeto e, além desse resgate, os alunos descobriram neles mesmos um dom: a pintura.
Benjamim Geanizelli, 15, não quer mais parar de desenhar, bem como Ilídio Wanderson, 14, e Marcos Vinícius Nascimento Bello, 13. Os dois últimos confessam que tiveram ajuda: Wesley Simplício ajudou Ilídio, e um primo deixou sua marca na tela de Marcos. Todos garantem que vão continuar praticando: “A gente tem potencial”, se orgulha Marcos.
Joques desenvolveu o projeto com as colegas Adriana Gusmão e Dalva Silveira (Português), Andressa Colombo (História) e Quintilane Pinheiro (Inglês). Ele, Quintilane e a diretora vieram com os artistas e outros oito alunos montar a exposição.
Lenice Vicente adiantou que a Prefeitura cedeu um carro com motorista para trazer os alunos, que foram recepcionados pelo Cerimonial da Casa. Montada a exposição, foram levados para conhecer as dependências da Assembleia, inclusive o Plenário, onde acontecem as sessões.