Os movimentos pró-ginástica laboral já eram praticados desde a década de 60, em diversos países como Bulgária, antiga Alemanha Oriental, Suécia e Bélgica. Mas, foi somente no Japão que aGinástica Laboral consolidou-se como prática obrigatória nas indústrias e serviços. Nos EUA, desde 1974, aproximadamente 50 mil empresas realizam programas diários de ginástica durante a jornada de trabalho (Sesi, 1996).
No Brasil, a Ginástica Laboral foi introduzida em 1969 por executivos nipônicos na Ishikawajima do Brasil Estaleiros S.A. (Ishibrás), localizada no Rio de Janeiro, e era realizada com 4.300 funcionários no início do expediente, divididos em grupos, ao ar livre, de acordo com a sessão a que pertenciam. AGinástica Laboral tinha, ao todo, 8 minutos de duração (Ministério da Educação, 1990, p.193).
Entre os anos de 1990 e 2000, mais especificamente de 1995 em diante, a Ginástica Laboral começou a ser compreendida como um bom instrumento na melhoria da saúde física do trabalhador, reduzindo e prevenindo problemas ocupacionais (Lima, 2003).
Segundo Dias (1994), a Ginástica Laboral consiste em exercícios específicos que são realizados no próprio local de trabalho, e atuam de forma preventiva e terapêutica. A autora afirma que essaginástica não sobrecarrega e não leva o funcionário ao cansaço porque é leve e de curta duração.
De acordo com o Ministério da Educação (1990), o objetivo principal da ginástica na empresa é possibilitar um aquecimento muscular capaz de atenuar a incidência de acidentes de trabalho causados por esforço físico sem preparação. Esses exercícios devem ser dosados de modo que se obtenham esse aquecimento e a oxigenação necessária à melhoria do estado físico geral. Ainda conforme o Ministério da Educação (1990), o programa da Ginástica Laboral envolve outros objetivos, como promover maior disposição para o trabalho, maior capacidade respiratória, vitalidade muscular e mental, além de descontração no ambiente/ relações de trabalho.
Pesquisas apontam que há três momentos, durante a jornada de trabalho, em que podem ser feitas as aulas de Ginástica Laboral:
Ginástica Laboral de Aquecimento ou Preparatória – realizada antes da jornada de trabalho, aquece os grupos musculares solicitados nas tarefas;
Ginástica Laboral de Pausa ou Compensatória – realizada no meio do expediente, alivia tensões, fortalece os músculos do trabalhador e interrompe a monotonia, promovendo exercícios específicos de compensação para esforços repetitivos;
Ginástica Laboral de Relaxamento – praticada no final ou após o expediente de trabalho, tendo como objetivo o relaxamento muscular e mental dos trabalhadores.
Quando se implanta um programa de Ginástica Laboral numa empresa, envolve-se a coletividade, o que propicia, além dos benefícios físicos em si (respiração, alongamento muscular, melhor oxigenação e circulação sangüínea), momentos de descontração, e um desligamento momentâneo dos problemas do trabalho. É uma pausa em que, apesar dos cargos exercidos, “todos são iguais”: seres humanos em busca de bem-estar, saúde e qualidade de vida no trabalho. Independente de suas funções, ali, naquele momento, todos irão relacionar-se, praticar exercícios, cooperar com os outros, conhecer suas necessidades e limitações, enfim, se portar como “alunos”.
O envolvimento e a proximidade dos dirigentes com os funcionários refletem-se no sucesso de todos os Programas de Qualidade de Vida dentro da empresa, em especial nas aulas de Ginástica Laboral.
Acredita-se que a Ginástica Laboral seja um caminho para a ampliação do conceito de saúde e mais um campo de atuação para os profissionais. É inegável que as empresas têm recorrido a esses Programas com objetivos específicos, e que têm aberto suas portas para as aulas de Ginástica Laboral, embora ainda faltem alguns ‘acertos’ para que possamos afirmar haver um comprometimento efetivo das corporações com a Ginástica Laboral.
Extraído do livro “Ginástica Laboral e Ergonomia” de Fabiana Figueiredo e Claudia Mont’alvão (p. 66 - 87)